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82% das transexuais assassinadas no Brasil são negras, aponta dossiê


Dossiê elaborado pelo Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos (International Institute on Race, Equality and Human Rights – IREHR), a partir de entrevistas e da consolidação de levantamentos feitos por organizações LGBT de vários estados brasileiros, aponta o racismo e a LGBTfobia como estruturais no Brasil.

De acordo com o IREHR, o objetivo do dossiê é “apresentar uma leitura racializada sobre a questão LGBTI no Brasil, a partir de uma leitura intereseccional sobre algumas das violações de direitos humanos”.

Uma questão importante que é destacada pelo estudo, é o fato da “escassez de dados sobre a população LGBTI produzidos pelo Estado” no Brasil. Historicamente, estes dados são organizados por grupos LGBT da sociedade civil. Porem, com parcos recursos para uma sistematização constante.


Para os organizadores do estudo, a ausência de dados sobre a população LGBT no Brasil é um fato onde “percebe-se o enorme descompromisso político com as vidas LGBTI, em especial as negras, que são as mais afetadas negativamente pela ausência de medidas para a proteção de seus diretos e promoção da igualdade”.

Racismo e LGBTfobia

Um dos aspectos que a pesquisa destaca é que no Brasil, racismo, LGBTfobia e machismo caminham juntos. “O Brasil é um país extremamente desigual, hierarquizado e autoritário, constituindo-se, dessa forma, como um ambiente em que o racismo e a LGBTIfobia, imbricados com outros eixos de dominação, como o machismo e a dominação de classes, pulverizados nas instituições do Estado e nas relações sociais”, analisa o estudo.


O material da IREHR, a partir de dados levantados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), revela que no ano de 2019, 82% das transexuais assassinadas eram negras. Portanto, as pessoas LGBTQ negras vivem com a ameaça constante do racismo e da LGBTfobia e por isso a necessidade da construção de políticas racializadas.

Fonte: Marcelo Hailer (FORUM)

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