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Não estamos vendo ou não queremos ver nossos idosos LGBT+?


Bicha velha. Maricona. Cacura. São termos usados para discriminar ainda mais pessoas LGBT+ idosas. Muitas vezes, alcunhas pejorativamente dadas pela própria comunidade. Por onde andam e como estão sendo amparados esses corpos vítimas da dupla discriminação?

Há três anos, iniciei uma busca por essas histórias. Nasceu “LGBT+60: Corpos que Resistem”, websérie veiculada pelo Projeto #Colabora. Queria exercer a escuta ativa e, sobretudo, levar adiante essas vivências para os mais jovens, como eu.

Gerações mais novas tendem a se afastar. A juventude, tão cultuada, coloca a população idosa à margem dos círculos sociais. Ironia. Logo o grupo pioneiro na luta pelos direitos LGBT+ no Brasil e que, justamente por estar focado na própria sobrevivência, pouco pode pensar no futuro. Viveram uma ditadura. E, hoje, outra, velada.

Apesar da invisibilidade, são muitos. Considerando que LGBT+ são em torno de 10% da população chega-se ao número de 3,1 milhões de idosos brasileiros LGBT+. Mas, insisto, por que não os estamos vendo?

Em suas pesquisas, o psicólogo Pedro Antunes lista alguns fatores. Primeiro, a nossa cultura heteronormativa que dificulta a discussão sobre o tema. Segundo, o duplo preconceito: por serem velhos e serem LGBT+.

Outro ponto: a LGBTfobia internalizada. Muitos preferem ficar invisíveis pela autopercepção negativa que têm da própria sexualidade ou gênero. O resultado: baixo auto-estima. Por último, a presunção da heterossexualidade. É preciso estraçalhar o mito da assexualidade da pessoa idosa e com a ideia de que todas são hétero ou cis.

A solidão é recorrente. Muitos expulsos de casa: com 12 e até 8 anos, acreditem. O abandono favorece a depressão, suicídios e outros traumas. A dificuldade ao serviço público de saúde se agrava quando falamos de pessoas trans idosas - população que nem sempre envelhece, já que a expectativa de vida delas é, no Brasil, de 35 anos.

Fonte: (FOLHA DE S. PAULO)


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