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Viver é se transformar: a luta de uma mulher trans para sobreviver no Brasil


De acordo com dados da União Nacional LGBT, a expectativa de vida de uma mulher trans no Brasil é de 35 anos. Aos 38 anos, a advogada Heloisa Ravasq se considera uma quebra de paradigma. "Vou chegar aos meus 40 sendo um verbo: luta".

Luta, aliás, é uma palavra repetida constantemente pela carioca em seu cotidiano. Isso porque define uma vida inteira. Começou ainda criança, quando ela tinha características masculinas e sua família a chamava de Luis Henrique.

Helô nasceu no Rio de Janeiro, mas foi no sertão da Paraíba, em uma cidadezinha chamada de Borborema, que viveu até os 16 anos. O seu processo de transformação foi precoce, aos 12. Ela conta que o corpo masculino sempre foi estranho. "Olhava o espelho e pensava: ‘Essa pessoa que tá ali não sou eu’. Essa inquietude que eu tinha… Eu me entendia como um ser humano diferente da forma com que eu era tratada", ressalta.

Mas esta foi apenas a primeira luta de Helô. Se descobrir como mulher. O termo trans, aliás, é utilizado para se referir a uma pessoa que não se identifica com o gênero ao qual foi designado em seu nascimento. No caso de Heloisa, uma pessoa que nasceu com o sexo biológico masculino, mas se entende como uma figura feminina.

Heloísa simplifica ainda mais. Para ela foi como renascer, florescer. Encarar a realidade e passar pelo processo de transformação não é uma tarefa simples. No entanto, mudar o gênero não é o mais difícil. Os problemas acontecem da porta para a rua.

No Brasil, a intolerância matou pelo menos 868 travestis e transexuais em oito anos, de acordo com dados publicados pela ONG Transgender Europe (TGEu). Essa estatística deixa o país disparado, no topo do ranking de nações com mais registros de homicídios de pessoas transgêneras.

Quem sobrevive ainda precisa buscar uma forma de se incluir em uma sociedade que não inclui o diferente. Outro dado alarmante: no Brasil, segundo o levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, 90% dessa população tem subempregos ou prostituição como possibilidade de subexistência.

No início de sua trajetória profissional, Helô não conseguiu um emprego formal. Mas ser auxiliar de cabeleireira em Pernambuco acabou abrindo portas em um salão em São Paulo. "Eu sempre contei com a ajuda de mulheres que me impulsionam pra frente. Em Borborema foi uma senhora que me ajudou a estudar, a fazer minha carteira de identidade. Depois que mudei pra Pernambuco, conheci outras que também fizeram a diferença na minha vida", conta.

Fonte: (GSHOW)


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